Friday, September 15, 2006

A FUGA DOS INVÁLIDOS


5 de setembro, 21h. Acabei de dar de fuga do quarto a bordo da minha cadeira de rodas. Já percebi qual a hora em que não se vê ninguém no corredor, nem uma testemunha. Chego, com um micro-pico de adrenalina ao átrio, à máquinas dos cafés, apenas para perceber que não aceita notas...a única coisa que tenho. Estaciono junto a um pilar e desato a escrever. Se hoje não fôr a última noite aqui, tenho que cravar trocos amanhã.
22h, hora do fecho das luzes. Por azar, nada funciona no quarto – nem campainha, nem controlo individual de luzes. Enfio-me de novo na cadeira, que mais faz lembrar um tanque humano, com a perna lesionada esticada e erecta sobre o apoio, e fujo de novo do quarto. Vou de novo para o Hall, falar com o mundo lá fora. Pela primeira vez, em uma semana, longe da temperatura controlada do quarto, apercebo-me de quanto quentes e pegajosas estão as noites. Em frente a uma janela aberta, vejo as luzes dos anúncios e sinto a aragem morna e calma que me envolve.

5 Setembro 06

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